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Cloro

18' . HD . Cor . 2014 . RJ, Brasil

Júri Festival de Milão

Motivação do Júri para o prêmio 400 SIPS de Melhor Curta:

 

Water leads to introspection. It is the primal symbol of the blast of all the emotions, as well as the only witness of the uncommon moments when Clara and her family get together. Water is surrounded, confined and everything all around is arid and fake: arid bodies for arid feelings. The truth finally appears when they dive and let themselves float and nearly drown. Water, as a primitive force, releases the sincerity of thoughts of a world that is golden, but cold and indifferent.

 

For the symbolic power conferred to the aquatic element, within a delicate but effective story, the prize for The 400 Sips short film competition goes to Cloro by Marcelo Grabowsky.


Film International

por Gary M. Kramer

 

"One of the best films in Shorts Program 2 is Marcelo Grabowsky’s remarkable debut, Chlorine, from Brazil. Shot entirely in and around a wealthy Brazilian family’s pool, the film looks gorgeous, with reflections contributing to the themes addressed in the drama. The images—of detritus after a party, or a sexual dalliance in the water, or even a body floating face down—are striking. Moreover, as the story unfolds and a crime is revealed, the family undergoes a crushing transformation. This short is riveting."

 

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Viagem ao Redor do Mundo Incrível 

Texto para o catálogo do Vitória Cine Vídeo, por Rodrigo de Oliveira 

 

"(...) Cloro, de Marcelo Grabowsky, reposiciona a doença no ambiente mais viciado de todos: a aristocracia decadente do Rio de Janeiro. E ao chegar lá não consegue enxergar mais do que a encenação consciente dos dramas de superfície, despida de espírito, disponíveis no sonho e também a olhos nus, filme definitivo sobre a dessensibilização atrelada à falência de classe."

 


 

O corpo em cena, suas interdições, limitações e libertações

 

Texto para o catálogo do FestCurtasBH, por João Toledo

 

Há filmes em que a cena pulsa junto com os corpos em cena. Na harmonia ou na desarmonia, os filmes vivem dessa presença corporal, são tomados e guiados pelos gestos de corpos que bailam, no mais sutil ou no mais brusco dos movimentos. É como se o filme fosse, ele próprio, um órgão do corpo que observa, contraindo-se e expandindo-se à medida em que a vida segue em cena. Esta mostra se faz de tais filmes. Há, neles, a rica diversidade de uma filmografia que se inquieta diante da normatização das condutas sociais do corpo. São filmes que operam transgressões, que encontram no corpo a maneira de expandir os próprios limites que lhes foram impostos.

Mesmo diante de uma cinematografia cada vez mais calcada na virtualidade, mais baseada em efeitos que simulam a presença do corpo e que o reconstituem, é o próprio cinema que resiste e que reage, em uma espécie de crença na potência de uma arte corpórea. Na precisão ou no descontrole, a fisicalidade das cenas produz uma aderência, joga com nosso desejo, com nossa imaginação, com nossos preconceitos. É por isso que a comissão, diante da imagem de corpos que dançam, transam, cortam-se e transformam-se, criou uma mostra especial, que pudesse colocar em movimento esses corpos, ajudando-nos a refletir sobre as questões que eles carregam na leveza de suas danças e no peso de sua moral.

Mas não convém confundir o corpo da cena com um corpo qualquer. Ele pode ser, inclusive, ausência, voz, imagem suprimida, imaginação. Pode ser um corpo-político, que se arrebenta na luta contra as normas que ditam suas restrições. Pode ser um corpo-social; o corpo de um negro, em uma cidade que o fetichiza e o oprime culturalmente; o corpo branco e jovem, que é desejado e que deseja, mas que está circunscrito aos limites de seu status; o corpo moreno, que trabalha, que sua, que esconde o vigor na delicadeza, mas que é explosivo e dono de si; um corpo-etéreo, que reivindica a eternidade por meio de uma transgressão da natureza humana; um corpo-expressão; corpos reprimidos que explodem em dança ou em gozo quando não mais suportam o peso das negações, das frustrações e das limitações. Desnudam-se, agarram-se, repelem-se. Esses corpos não são um meio através do qual se alcança algo; são o próprio destino, são começo e fim. Eles se movem, tocam-se e nos afetam. Buscam algum tipo de soberania. São tudo, menos corpos dóceis, apaziguados. É por isso que o cinema se ocupa deles. Porque é preciso observá-los.